Autogestão

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Autogestão significa promover a inteligência coletiva dos trabalhadores(as). Isto quer dizer que, embora necessária, não basta ministrar informações ou capacitar para a melhoria da qualidade produtiva. É necessário trabalhar com novos valores e conceitos baseados na solidariedade, enfatizando o coletivo no lugar da competição e do individualismo.


A autogestão é um modelo de organização em que o relacionamento e as atividades econômicas combinam propriedade e/ou controle efetivo dos meios de produção com participação democrática da gestão.

Autogestão também significa autonomia. Assim, as decisões e o controle pertencem aos próprios profissionais que integram diretamente a empresa. Isso quer dizer que prática de se contratar profissionais para administrar o negócio ou mão-de-obra para atender às necessidades do aumento temporário de produção deve ser considerada uma exceção que requer critérios previstos nos estatutos e/ou nos contratos sociais internos.

Os trabalhadores devem ter a capacidade e o poder de decisão sobre tudo o que acontece na empresa: metas de produção, política de investimentos, modernização, política de pessoal, etc. Isso quer dizer que as atividades educativas e o incentivo à inteligência coletiva constituem a vida das empresas autogestionárias. Valorizar e incentivar a criatividade do conjunto dos trabalhadores implica em:

Recuperar e manter trabalho e renda através da participação e controle coletivo dos trabalhadores(as) sobre as atividades produtivas;

Democratizar as tarefas que envolvem conhecimento, dando oportunidade para que o “saber fazer” chegue ao conjunto dos trabalhadores;

Superar os entraves ao acesso às informações e conhecimento;

Envolver o conjunto dos trabalhadores nas áreas de pesquisa e desenvolvimento;

Promover regularmente atividades de desenvolvimento do trabalho em equipe e de relacionamento e a inteligência coletiva entre os trabalhadores(as).

AUTOGESTÃO: Um projeto de vida

Os empreendimentos autogestionários têm como dono o próprio trabalhador(a). Isso faz a diferença, pois, é o trabalhador que decide sobre sua própria vida. Esse é o grande diferencial em relação à empresa convencional, pois, na autogestão:

Ao sentir-se como proprietário(a) coletivo da empresa, o trabalhador(a) passa a assumir maiores responsabilidades e os riscos do negócio. Sentindo-se mais importante e, com maior auto-estima, aumenta a motivação;

As necessidades e expectativas pessoais de cada trabalhador(a), como os sentimentos, sonhos e segurança futura são tratadas coletivamente e com condições de serem atendidas;

O trabalhador(a) tem maior autonomia para realizar seu trabalho, fazendo-o com maior satisfação pessoal e coletiva;

Cada dono(a) deve conhecer a empresa na qual trabalha e ter pleno conhecimento das possibilidades e limites de seu poder de decisão.

Portanto, a Autogestão não se define apenas através de conceitos e princípios. Caracteriza-se como um movimento de construção pelo qual o trabalho e as relações entre as pessoas buscam resgatar o dimensionamento humano enquanto sujeitos que produzem e convivem.Com isso, os trabalhadores (as) podem decidir sobre tudo o que acontece na empresa: metas de produção, formas de investimento, política de pessoal, etc.

A Autogestão subentende a existência de autonomia e pressupõe capacitação para administração coletiva do negócio: autonomia tanto para as unidades produtivas quanto em sua instância representativa. Isto é, sem dependência dos órgãos governamentais ou para-estatais.

Por conta disso, o investimento cultural é imprescindível. Educar para a Autogestão significa promover a inteligência coletiva dos trabalhadores(as). Isto quer dizer que, embora necessária, não basta ministrar informações ou capacitar para a melhoria da qualidade produtiva. É necessário trabalhar com novos valores e conceitos baseados na solidariedade, enfatizando o coletivo no lugar da competição e do individualismo.

Em Autogestão o método de atuação e a forma de relacionamento determinam profundamente o fruto do nosso trabalho. A construção da Autogestão e da Economia Solidária pressupõe, no mínimo, coerência entre os princípios e práticas solidárias. Esta é a diferença. A cooperação e a confiança devem prevalecer sobre a competição, porque concorrência, individualismo e dependência não apenas inibem mas, simplesmente, destroem a possibilidade e a perspectiva da criação de uma sociedade livre e fraterna, onde o ser humano seja o centro de nossas preocupações.

Imagem: Pixabay (Domínio Público)

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