Economia solidária: Uma ferramenta para construção de um mundo igual

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A economia solidária traz como um de seus princípios fundantes a organização coletiva do trabalho. Esse princípio pressupõe a participação como essencial para o conhecimento dos processos cotidianos do trabalho e co-responsabilidade de todos e todas com a gestão

São Paulo


 

A economia solidária no Brasil tem se fortalecido com um movimento de luta para a transformação do mundo. Esta proposição foi reafirmada na I Conferência Nacional de Economia Solidária, realizada em junho de 2006, onde se definiu economia solidária como sendo “[…] geradora de trabalho emancipado, operando como uma força de transformação estrutural das relações socioeconômicas, democratizando-as, superando a subalternidade do trabalho em relação ao capital”. Defini-se também, como um dos itens de trabalho emancipado, que este abrange tanto a esfera do produtivo, quanto a esfera do reprodutivo. Caso contrário estaria excluindo parcela ativa responsável pelo cuidado das pessoas, entre ela a maioria de mulheres.

A economia solidária traz como um de seus princípios fundantes a organização coletiva do trabalho. Esse princípio pressupõe a participação como essencial para o conhecimento dos processos cotidianos do trabalho e co-responsabilidade de todos e todas com a gestão. Outra dimensão humanizadora é a relação solidária nas ações internas e externas, como base para a produção de um saber coletivizado e legitimado como de todos e todas.

As mulheres são a maioria das pessoas que constroem a economia solidária. Porém, a igualdade de participação entre homens e mulheres, em todos os espaços na economia solidária, ainda é um desafio a ser superado por aqueles e aquelas que a constroem. Não podemos reproduzir na economia solidária a contradição onde as mulheres são iguais em direitos, mas desiguais de fato, no cotidiano da ação.

Esta realidade nos leva a refletir sobre qual tem sido a contribuição dos processos vividos, como sujeitos políticos na economia solidária, para construção de novas práticas de superação das desigualdades de gênero. Como as mulheres estão neste espaço? Que poder elas exercem, ou não? Como a atuação neste espaço tem provocado mudanças concretas em suas vidas? Porque e como a economia solidária pode contribuir para a superação das desigualdades vividas pelas mulheres?

O movimento da economia solidária pode representar uma alternativa para mudarmos este quadro de desigualdade vivido pelas mulheres. Essa é uma tarefa cotidiana de quem acredita nesse novo jeito de produzir, comercializar e consumir, pois, a economia solidária é um caminho possível para( superar)pensar a divisão sexual do trabalho, segundo GUÉRIN (2005), se garantir uma abordagem feminista em todos os seus processos.

Um debate central para a construção do feminismo dentro da economia solidária é o questionamento e o rompimento com a divisão sexual do trabalho. Para isto é preciso ampliar o conceito de trabalho e compreender que as chamadas esferas da produção e da reprodução, não são separadas e independentes, pelo contrário, são esferas articuladas.

Esta mudança na concepção de trabalho contribui para reconhecer o trabalho não remunerado, realizado pelas mulheres, que é fundamental para a sustentabilidade da vida humana. Contribui também para buscarmos políticas públicas que reduza o trabalho doméstico, bem como uma melhor divisão deste com os homens, e, assim, garantir às mulheres mais tempo livre para ampliar sua participação política, economica e social.

Como a economia solidária se baseia em princípios contra-hegemônicos, pode parecer mais fácil avançar no rompimento com a divisão sexual do trabalho. Mas a realidade dos empreendimentos reproduz, na prática cotidiana, as amarras da divisão sexual do trabalho. As mulheres se concentram em empreendimentos menos valorizados, e, há uma naturalização do lugar das mulheres nos empreendimentos mistos. A mulher é minoria nas direções e em outros espaços de decisão e, freqüentemente, desempenham funções associadas às tarefas da esfera da reprodução.

  Assim, o enfrentamento aos desafios colocados para a construção da economia solidária, com uma perspectiva feminista, passa por impulsionar que as mulheres rompam com seus próprios limites, de modo que elas passem a assumir mais as tarefas de produção, comercialização, gestão financeira, negociação, incorporação das tecnologias, e que seja alterada a relação das mulheres com o crédito. Nossa experiência nesta construção associa a auto-organização das mulheres que fazem economia solidária, com o conjunto das lutas feministas que extrapolam o âmbito local e imediato, e constroem uma visão global da transformação social que queremos.

Neste sentido, nesta IV Plenária Nacional da Economia Solidária, queremos contribuir para a realização do debate a partir da economia feminista, trazendo uma outra discussão na economia solidária: a necessidade de colocar a reprodução humana na centralidade do debate econômico, envolvendo a divisão sexual do trabalho e a necessidade de construir valores sociais para “a produção do viver”.

Portanto a economia solidária pode contribuir com a luta feminista na medida que cria condições de desnaturalizar a separação de publico e privado, produtivo e reprodutivo – desconstruindo a divisão sexual do trabalho; recolocando o olhar para o trabalho do cuidado das pessoas como uma esfera mantenedora e relacionada com o mundo produtivo

Um elemento fundamental da economia Solidária que estabelece relação direta de contribuição com a luta feminista é a autogestão. Na construção da autonomia das mulheres a autogestão pode nos levar a práticas de igualdade, garantindo as mulheres espaços de decisão e representações política.

Portanto a presença do feminismo no movimento de construção da economia solidária, sem dúvida, será determinante para construir de fato outra economia com base na igualdade e autonomia de seus sujeitos.

Questões/ proposição
• Inserir nas capacitações em economia solidária formação de gênero para todos os segmentos.
• Orientação para a inclusão das mulheres em todos espaços (gestão e produção) nos empreendimenos e nas instâncias de repreentação.
DÚVIDAS
• TEM ALGUMA ORIENTAÇÃO SOBRE LEVANTAMENTO DE DADOS ESTATÍSTICOS PARA MAIOR VISIBILIDADE DAS MULHERES?
• Levantamos a idéia de algum processo de continuidade do trabalho com as mulheres ou fica para debate na plenária? Acho que devemos levantar. Devemos apontar para um GT de Gênero no FBES ( formado por entidades feministas presentes no Fórum).

 

Eixos de debates para a IV Plenária -– O que querem as mulheres:

(não sei se colocamos algo nos eixos, ou se já tem) – A idéia é falar um pouco sobre cada ponto. Tomei como exemplo de estrutura o doc aprensentado pelas mulheres no ENA. Poderemos escolher os eixos 01 e 02. Por temos mais acumulo. Se outras pessoas puderem contribuir e escrevermos nos  03 e 04,  ótimo.

1. Produção, comercialização e consumo solidário

A Economia solidária propõe não apenas trocas mercadológicas de produtos, mas atua para processo de conscientização feito de forma participativa entre produtoras e produtores, consumidoras e consumidores, guiados pelo princípio da autogestão.

Garantir a articulação desses aspectos significa acreditar na construção de um instrumento concreto que garanta que os princípios e valores presentes na organização dos/as trabalhadores/as permaneçam também nos momentos da produção, comercialização e consumo, como soberania alimentar, agroecologia, autonomia, preço justo. 

No caso particular de projetos produtivos da economia solidária desenvolvidos por mulheres, sabemos que a busca desse horizonte transcende a afirmação de princípios éticos, solidários e de igualdade de classe expressados ao longo do processo de constituição da economia solidária.  Pois necessitamos, antes de tudo, que as mulheres estejam presentes de forma real e concreta em todos os espaços, sendo sujeitos da ação e da construção dessa outra forma de fazer economia.

Na construção da proposta do PRONADES – Programa de Desenvolvimento da Economia Solidária, dedicarmos um olhar especial para o fortalecimento das mulheres dentro da economia solidária é extremamente necessário.

Neste sentido, fortalecer a presenças das mulheres em todos os espaços do processo de produção, comercialização e consumo, garantia de linha créditos voltada para as mulheres rurais e urbanas, visibilizar a produção feita por mulheres, construir formas de socializar as tarefas do cuidado das pessoas nos espaços da economia solidária, ações de combate a violência contra a mulher são mecanismos de fortalecimento e construção de um mundo igual e solidário.

2. Educação / formação e economia solidária

  • Marco Legal e economia solidária ( Bandeira de Luta)

Garantir nos projetos de lei e ou no PL 7009/2005  o aleitamento materno de 6 meses para a trabalhadora cooperada.

  • Finanças solidárias

 Linhas de crédito e finaciamento para os empreendimentos populares solidários ( basicamente de mulheres) com taxas diferenciadas de juros.

Economia de Francisco

Economia de Francisco e Clara

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