Está na hora de unirmos forças em defesa da mãe natureza, diz líder indígena Shawa Kaya

Shawa Kaya, liderança indígena do povo Shawãndawa do Acre, demonstra preocupação com o futuro do planeta. Ele estará em São Paulo nos dias 18 e 19 de novembro para participar do Encontro Nacional Economia de Francisco, na PUC-SP. O evento é organizado pela ABEF (Articulação Brasileira para a Economia de Francisco), representante de 35 entidades com o Instituto Casa Comum (ICC) e a Universidade.

Kaya, secretário da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPRIJ) no estado acreano, vai compartilhar os trabalhos desenvolvidos da entidade nas rodas de conversa do Encontro. A ideia é que o líder indígena apresente os conhecimentos e as alternativas sustentáveis dos povos originários. “Vamos mostrar nossa forma de organização e de sustentabilidade dentro da floresta”, explicou o líder indígena.

O objetivo do Encontro Nacional é reunir intelectuais, estudantes e jovens, movimentos sociais e ativistas das várias experiências do Brasil em geração de renda e produção sustentável como alternativas à economia geradora de desigualdades e dilapidadora da natureza.

Segundo Kaya, é preciso repensar a forma como os países se relacionam com o planeta. “O chamamento do grande Txai Papa Francisco traz para a humanidade uma nova esperança e outros modos de vida e de sustentabilidade do planeta. Está na hora de unirmos forças em defesa da mãe natureza”, afirmou o líder indígena.

Txai significa na língua dos índios Kaxinawá, do Acre, ‘mais que amigo, mais que irmão, a metade de mim que habita em você, a metade de você que habita em mim’.

Para Américo Córdula, ator e consultor em políticas culturais, a presença da comunidade indígena possibilita que a nova economia defendida pelo Papa Francisco leve em conta as necessidades dos povos originários. “Kaya vai conseguir nos alertar sobre a importância da preservação e da demarcação das terras, e da proteção da cultura e respeito ao modo de vida que os indígenas se relacionam com a natureza”, completou Córdula.

O conceito de economia é inexistente na organização social, econômica e política dos indígenas. As grandes preocupações deles são com as propostas de economia dos não-indígenas que considerem as formas de proteção da natureza, a diminuição do consumo e do aquecimento global, entre outros. De acordo com Shawa Kaya, a maneira como os países operam suas economias se relaciona com o esgotamento dos recursos naturais do planeta. “Essa forma de economia dos homens brancos tem causado muita destruição da nossa mãe natureza”, alerta o líder indígena.

“No dia a dia, os índios já fazem isso. Eles protegem a natureza, não poluem e não envenenam a comida. A presença do Líder Shawa Kaya é uma inspiração para todos que participarão do Encontro”, revela Córdula.

Produtos da comunidade Shawãndawa serão comercializados na Feira de Economia Solidária.

A OPRIJ trabalha em prol do desenvolvimento sustentável dos povos originários e agrega no total 11 terras indígenas na região do Rio Juruá, Acre. A entidade trabalha dentro de um plano de gestão territorial autossustentável para a fauna e a flora. Além da participação do secretário da organização, a Feira de Economia Solidária, ação paralela do Encontro Nacional, vai comercializar produtos naturais indígenas, como óleos essenciais e florais, e artesanato produzidos pela comunidade Shawãndawa.

Serviço:
Encontro Nacional Economia de Francisco
Realização Articulação Brasileira pela Economia de Francisco (ABEF)
Data: 18 e 19 de novembro de 2019
Horário: 14h às 21h (18/11) e das 9h às 21h (19/11)
Local: TUCARENA – PUC SP (R. Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo)

Fernanda Queiroz (Assessoria de comunicação/ABEF)