Mulheres contra Bolsonaro: 8 de março

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São Paulo: Vera Machado

Neste mês de março, as mulheres de São Paulo estão nas ruas para denunciar o machismo, o racismo e a LGBTfobia do governo Bolsonaro e o descaso com as políticas sociais de Bruno Covas e João Doria. Nos mobilizamos para exigir justiça por Marielle, Cláudias e Dandaras.



Nesses um ano e dois meses de (des)governo Bolsonaro, temos sentido o avanço na retirada de nossos direitos, especialmente na legislação trabalhista e na previdência social. Nos deparamos a cada dia com o aumento da desigualdade social, da miséria e do desemprego.

Os índices de feminicídio aumentaram quase 80%, especialmente entre as mulheres negras, contrariando a fala do Ministro da Justiça sobre a queda da violência. Somos o 5º país no ranking de violência contra mulher e, apesar deste cenário, o governo zerou o repasse para programas de proteção, como a Casa da Mulher Brasileira, além de adotar um discurso de resignação quanto à violência doméstica, por meio da Ministra Damares.

Além da falta de políticas federais de proteção à mulher, o governador do estado de São Paulo, João Doria, vetou dois importantes projetos, um de autoria da Deputada Estadual Beth Sahão (PT), para que as delegacias da mulher funcionassem 24h – o que foi, inclusive, promessa de campanha do governador – e o Projeto de Lei da Deputada Estadual Isa Penna (PSOL), que previa compilar dados sobre violência contra as mulheres. Além disso, no um ano e meio que passou como prefeito da cidade de São Paulo, ainda extinguiu a secretaria de Políticas para as Mulheres, criada durante a gestão de Fernando Haddad, e não renovou os contratos dos Centro de Referência da Mulher.



Seguindo a lógica tucana de desmonte das políticas para as mulheres, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, apresentou um decreto em julho passado, que alterou as atribuições do Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres, fazendo esse passar de um órgão deliberativo para um órgão consultivo.

Também é sob a gestão de Covas que a fila para as vagas nas creches municipais praticamente triplicou, prejudicando a vida das mulheres que precisam trabalhar para dar sustento aos seus filhos, sendo elas muitas vezes as únicas responsáveis por levar dinheiro para casa – basta ver os índices de abandono paterno no país. Isso, sem deixar de desconsiderar que são as mulheres negras a maioria nas filas de desemprego e as maiores vítimas do subemprego, especialmente após a reforma trabalhista do golpista Michel Temer e da perversa reforma da previdência de Bolsonaro, replicada para as servidoras e servidores por Doria e Covas.

Além disso, achando que os filhos das mulheres da cidade não passam de moeda de troca com os empresários, o prefeito propôs disponibilizar voucher de desconto de mensalidades em creches particulares, desonerando a prefeitura da obrigação de gerir a educação municipal.

Ainda como se o pacote de descaso não bastasse, os Centros de Defesa e de Convivência da Mulher (CDCMs), estão constantemente com repasses de recursos atrasados e o funcionamento precário; e a Casa de Passagem, que iria acolher mulheres vítimas de violência, até hoje não foi inaugurada. Vale ressaltar que esses equipamentos estão ligados a Secretaria de Assistência Social, uma das pastas com maior congelamento de verbas da Prefeitura, o que deixa claro a ausência de prioridade do prefeito com as políticas sociais para as mulheres.


Vera Machado participa do Fórum Paulista de Economia Solidária (FOPES)

 

 

  • [1] Leia mais: Articulação Brasileira Pela Economia De Francisco

Editoria

Redação Frente Dom Paulo

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